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Geração Z e Millennials não estão a reservar o mesmo tipo de viagem

Geração Z e Millennials não estão a reservar o mesmo tipo de viagem
Foto: Vitaly Gariev / Unsplash

A diferença entre as viagens da Geração Z e dos Millennials está a tornar-se mais visível nas reservas reais. Os viajantes mais jovens não estão apenas a escolher os mesmos destinos mais cedo na vida. Estão a responder a preços diferentes, sinais online diferentes e ideias diferentes sobre o que torna uma viagem suficientemente interessante. Segundo a Euronews, a especialista em viagens jovens Adventure360 analisou mais de 4.700 reservas feitas no último ano e encontrou uma divisão clara. A Tailândia liderou entre a Geração Z, enquanto a Austrália ficou ligeiramente à frente entre os Millennials. A parte mais interessante não é um país ficar acima de outro. É o que essas escolhas dizem sobre orçamento, vistos, multidões e a forma como a inspiração de viagem circula nas redes sociais.

O que mostram os dados de reservas

A Tailândia é o destino comum mais forte, mas as duas gerações usam-na de forma diferente. Surgiu em 29,2% das reservas da Geração Z no estudo, o valor mais alto registado em qualquer grupo. Entre os Millennials, continuou popular, mas ficou em segundo lugar, com 17,4%, atrás da Austrália, com 17,8%.

Esta diferença importa porque mostra como a procura da Geração Z pode concentrar-se quando um destino junta preço, visibilidade e uma rota de viagem já conhecida. A Tailândia tem esses três elementos. É acessível para uma viagem de longo curso, fácil de compreender para quem faz a primeira grande aventura e aparece constantemente em conteúdo de viagem.

A separação torna-se mais clara no resto das listas. Camboja, Laos e Nova Zelândia entraram no top 10 da Geração Z, mas não no top 10 dos Millennials. Japão, Grécia e Islândia apareceram entre os Millennials, mas não entre a Geração Z.

Essas ausências são tão úteis como as posições. Sugerem que a Geração Z não está apenas a perseguir lugares famosos. Os Millennials também não estão simplesmente a repetir a rota clássica de mochila às costas. Cada grupo está a fazer escolhas que combinam com dinheiro, tempo e fase de vida.

Porque a Geração Z procura valor e impulso

Para muitos viajantes da Geração Z, o preço não é um detalhe secundário. É o filtro que decide que sonho passa a reserva. Se voos, alojamento, comida e atividades rendem mais na Tailândia, no Camboja ou no Laos do que no Japão, na Islândia ou na Grécia, a região mais barata parte com vantagem.

Isto não significa que a Geração Z queira menos da viagem. Muitas vezes significa que quer viajar mais, mas gastar com cuidado. A notícia da Euronews refere que 60% dos jovens britânicos da Geração Z esperavam viajar mais para o estrangeiro este ano, mas só 45% planeavam gastar mais em voos. Essa combinação empurra muitos viajantes para destinos onde a viagem completa continua possível.

O Sudeste Asiático encaixa bem nesse desejo. Um viajante consegue construir um itinerário longo com praias, hostels, comida de rua, mergulho, templos, cascatas, mercados noturnos e autocarros regionais sem transformar cada dia numa despesa pesada. Koh Tao, na Tailândia, há muito atrai viajantes jovens também porque tirar certificação de mergulho pode ser muito mais barato ali do que noutros destinos.

Camboja e Laos mostram ainda como o mapa está a mudar. Durante anos foram vistos como acrescentos a viagens pela Tailândia ou pelo Vietname. Os dados sugerem que estão a ser escolhidos de forma mais intencional, ajudados por custos diários baixos e por imagens virais de lugares como Angkor Wat, Koh Rong e as cascatas de Kuang Si.

As redes sociais pesam, mas não explicam tudo

É fácil reduzir as viagens da Geração Z ao TikTok, mas isso seria demasiado simples. As plataformas sociais conseguem dar visibilidade a um lugar muito depressa, mas essa visibilidade só se transforma em reserva quando a parte prática também funciona.

Um vídeo curto pode fazer uma cascata, praia ou templo parecer urgente. Também pode mostrar como outros jovens viajantes se deslocam, onde dormem, o que vestem e que energia a rota parece ter. Isso reduz a incerteza. Um destino deixa de parecer distante quando aparece todos os dias nos vídeos guardados.

Mas as redes sociais não fazem milagres. Um destino viral continua a precisar de alojamento, transportes, segurança, bom preço e flexibilidade suficiente para pessoas reais. Camboja e Laos estão a beneficiar porque a imagem online e a economia no terreno combinam.

Para quem viaja, isto é útil. Se um destino aparece de repente em todo o lado, vale a pena parar e perguntar porquê. É mesmo prático para o seu orçamento e estilo de viagem, ou é apenas fotogénico durante alguns segundos?

Porque os Millennials escolhem viagens mais caras

As escolhas dos Millennials no estudo apontam para destinos que muitas vezes exigem mais orçamento, mais planeamento ou outro tipo de conforto. Austrália, Japão, Grécia e Islândia não são destinos iguais, mas têm algo em comum: podem ficar caros depressa.

Isso torna-os menos fáceis de vender a viajantes mais jovens que tentam maximizar dias fora. Para os Millennials, a conta pode ser diferente. Alguns têm mais rendimento, preferências mais definidas sobre alojamento, menos paciência para logística complicada ou menos tempo para viajar devagar por terra. Uma viagem mais cara pode justificar-se se entregar uma experiência muito específica.

O Japão oferece comida, comboios, cultura pop, cidades, templos, design e viagens sazonais num território compacto e cheio de detalhe. A Grécia junta ilhas, arqueologia, gastronomia mediterrânica e uma estrutura de férias europeia familiar. A Islândia oferece paisagens dramáticas mesmo em itinerários curtos. A Austrália combina trabalho, visitas a amigos, natureza, praias e aventura de longo curso.

Estas viagens não são automaticamente mais sofisticadas do que os destinos favoritos da Geração Z. Apenas respondem a pressões diferentes. Quando o tempo é mais escasso e o orçamento é maior, é natural escolher destinos com mais previsibilidade, melhor infraestrutura ou um desejo antigo por cumprir.

Lugares mais tranquilos também contam

Um dos sinais mais interessantes da notícia original é que a Geração Z não procura apenas lugares famosos e cheios. Os dados da Skyscanner citados pela Euronews indicam que 76% dos viajantes da Geração Z estão abertos a escolher destinos menos conhecidos em vez dos mais populares, e que 51% já planearam uma viagem mais tranquila por causa das multidões.

Isto faz sentido. Os viajantes jovens cresceram a ver o sobreturismo como parte da conversa. Sabem o que acontece quando um miradouro, praia, rua de mercado ou café fica sobrecarregado pela mesma recomendação repetida.

Escolher Camboja, Laos ou partes da Nova Zelândia pode, por isso, ter a ver com mais do que preço. Pode também significar espaço, novidade e a sensação de não seguir exatamente o mesmo roteiro de toda a gente.

Há aqui uma contradição. As mesmas plataformas que empurram viajantes para lugares virais também ensinam a fugir deles quando ficam demasiado visíveis. As pessoas querem prova de que um destino vale a pena, mas querem chegar antes de todos.

Vistos e fase de vida também influenciam

A presença da Nova Zelândia no top 10 da Geração Z lembra que a escolha de destino não depende apenas de gosto. As regras também contam.

O visto de working holiday do país permite a muitos titulares de passaporte entre os 18 e os 35 anos permanecer durante períodos prolongados, em alguns casos até 36 meses. Isso é naturalmente mais útil para viajantes jovens, sobretudo quando podem combinar trabalho, viagem lenta e uma vida temporária noutro país.

Os Millennials podem ter menos probabilidade de cumprir os requisitos, ou menos capacidade para usar esse tipo de visto por causa de carreira, família, casa ou férias anuais limitadas. Um destino pode ser atraente em teoria e menos realista na prática quando a vida muda.

Por isso, as tendências geracionais devem ser lidas com cuidado. Não falam apenas de personalidade. Também falam de acesso, calendário, rendimento, câmbio, flexibilidade profissional e da quantidade de incerteza que cada pessoa consegue suportar.

O que os viajantes podem aprender

A lição útil não é que uma geração viaje melhor do que outra. É que uma boa viagem depende de alinhar o destino com as restrições reais por trás da decisão.

Se o preço é o principal limite, não compare apenas voos. Compare o orçamento diário completo: cama, refeições, transportes, tours, vistos, seguro, bagagem e as atividades que realmente quer fazer. Um voo mais barato para um destino caro pode perder facilmente para um voo mais caro para uma região barata.

Se o tempo é o principal limite, escolha lugares onde a logística ajuda a duração da viagem. Duas semanas permitem mais movimento do que quatro dias. Um destino com bons comboios, voos internos ou geografia compacta pode justificar o preço mais alto.

Se a ideia começou nas redes sociais, use-a como pista, não como decisão final. Guarde o vídeo, mas confirme época, clima, transportes, regras locais, lotação e preços atuais. Um destino que parece simples online pode depender de timing, edição ou de uma tolerância ao desconforto que não é a sua.

O essencial

A divisão entre viagens da Geração Z e dos Millennials não é apenas uma lista de destinos na moda. Mostra como o turismo está a ser moldado por orçamento, redes sociais, vistos, cansaço de multidões e novas expectativas de valor.

A Geração Z parece mais disponível para seguir preços acessíveis, impulso online e alternativas menos cheias. Os Millennials mostram mais procura por destinos de custo superior, que podem oferecer conforto, infraestrutura ou um apelo guardado há anos.

Nenhum destes padrões é fixo. A conclusão mais inteligente é planear com honestidade. Perceba se procura preço, tempo, novidade, conforto ou um sonho antigo. O destino certo é aquele que combina com a viagem que realmente consegue aproveitar.

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